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segunda-feira, 18 de abril de 2011

Yakuza Moon - Memórias da filha de um gângster da Yakuza



Há alguns anos atrás, li uma matéria sobre um livro recém lançado no Japão, escrito pela japonesa Shoko Tendo, que era filha de um chefão da Yakuza. 

Claro que chamou minha atencão logo de cara. Já que muito me interessa tudo o que de alguma forma é relacionado ao submundo, pois acho que é dele que podemos resgatar grandes idéias e histórias que realmente nos tocam.

A cerca de um mês encontrei o livro na Livraria da Vila em São Paulo, que diga-se de passagem é ótima!!!
Como não é um livro grosso, em dois dias o li, e encontrei o que já imaginava.
Não que Yakuza Moon não tenha superado minhas expectativas. Muito pelo contrário. Shoko Tendo nos conta de uma forma simples e direta tudo o que a fez se tornar a mulher que é hoje.

Shoko teve uma infância rica e cheia de mordomias, devido aos negócios de seu pai, que não se resumiam somente ao crime organizado japonês, e sim em empresas imobiliárias e afins.
Mesmo vivendo com regalias e morando numa bela casa, Shoko sofria na escola, pois todos conheciam suas origens e por conta disso a excluiam e humilhavam. 

Neste ponto, me identifico com Shoko no sentido de que as crianças por motivos variados, podem sim, serem malvadas e não ter qualquer sentimento em relacão aos colegas. Onde através de brincadeiras maldosas, fazem com que a "vítima" se isole do ambiente escolar, e pior, comece a cultivar uma imensa raiva que mais tarde pode vir a ter consequências bem mais sérias.

No mais, Shoko registra desde sua conturbada adolescência, onde seguindo os passos de sua irmã mais velha, se tornou uma yankee ( termo japonês usado para caracterizar jovens rebeldes). 
Brigas e usos de drogas constantes, acabaram a levando para um reformatório juvenil, onde cumpriu pena de um ano, e que após sua saída a fez se deparar com sua dura realidade, ou seja, seu pai mergulhado em dívidas e quase sendo despejado da mansão onde moravam. Além de suas constantes bebedeiras e espancamentos que sobravam para toda a família. (Shoko tem uma irmã mais velha e uma mais nova.)

Toda a situação financeira do pai, fez com que Shoko mantivesse relações sexuais com outros bandidos para aliviar seu pai das dívidas. O que a levou ao uso frenético e desenfreado do speed(droga injetável superusada na época).
Toda esta cituação a degradou, desde a perda de peso até a perda se seus próprios valores morais.
Tornar-se amante de bandidos, se tornar usuária de drogas e ser constantemente espancada, estavam definitivamente no cotidiano de Shoko.

Vontade não falta. Mas não posso detalhar tanto o livro aqui (mesmo achando que já o estou fazendo).

Mas um último detalhe que me tocou no livro, foi o fato de Tendo ter decidido tatuar seu corpo todo com motivos orientais, uma vez que todos os membros da Yakuza também eram tatuados e adeptos dos mesmo desenhos.
Para os curiosos pela atitude radical de Shoko, eu recomendo ler o livro.
E para os curiosos de genética, também!

Dê um google para saber onde Yakuza Moon está a venda. Vale a pena.






segunda-feira, 21 de março de 2011

Patti Smith: Só garotos



Quando resolvi comprar Só Garotosconfesso que não conhecia a obra de Patti Smith assim tão bem. Sabia que ela era uma artista ligada a performance e poesia, entre outros tipos de expressões artísticas. Mas não sabia que mais tarde se tornaria a grande referência punk americana.

No decorrer do livro, descobri que além de ser uma talentosa artista, Patti era uma mulher muito inteligente e corajosa. Uma vez que a menina que tinha nascido em Chicago, se mudou para a Nova Iorque de 60/70 com uma mão na frente e outra atrás. 

Enquanto a cena de artes e música estava começando a acontecer, Patti que não possuia recursos financeiros para se manter, dormia cada noite num lugar diferente, vivia de bicos e empregos em lanchonetes. 
Patti Smith era obrigada a sobreviver pelas ruas de NY. Mas sempre otimista, ela acreditava que algo de fantástico estaria a sua espera, e assim ia levando.

Foi numa dessas, que conheceu o jovem Robert Mapplethorpe, com quem a partir de então, iria dividir uma boa parte de sua vida.
Os dois juntos, iriam descobrir a intrigante e encantadora New York da época, criar e dividir suas artes e mais tarde compartilhariam até seus próprios amores.

Chegaram a morar no disputado Chelsea Hotel. Hotél histórico onde na época abrigava personagens ilustres como Iggy Pop, Charles Bukowiski, Bob Dylan, entre outros....
E serviu de cenário para loucuras e mortes trágicas de pessoas que por algum motivo, eram simbolos da época. Como quando Edie Segdwick, drogada e alcoolizada tacou fogo nas cortinas de seu quarto e quando houve a trágica morte de Nancy Spungen. (Sid & Nancy).

Robert tinha uma imensa vontade de fazer parte da cena de Wahrol e se tornar amigo dos principais artistas da época. Frequentar a famosa Factory era sua meta mais importante. 
Então ele e Patti passaram a ir regularmente ao restaurante mais quente da época, o Max's, onde toda a cena Warhol costumava circular.

Me surpreendeu a atitude de Patti diante das musas pertencentes a Factory. Uma vez que todas eram lindas e deslumbrantes, e Mapplethorpe era atraente. Homens e mulheres davam em cima dele. E Patti sabia.
Já Patti não era bonita e tinha uma aparência masculinizada, o que hoje em dia chamaríamos de androginia. Porém, sua segurança a tornava imensamente interessante, e fazia com que ela não se encomodasse com todo o assédio em torno de Robert.

Só Garotos prendeu ainda mais minha atenção pelo fato de mencionar várias vezes, pessoas que me inspiram, como Edie Sedgwick, Jim Morrison e Janis Joplin.

Uma leitura romântica, mas ao mesmo tempo provocante, Só garotos faz o favor de instigar e encorajar quem sente vontade de se expressar através dos mais variados métodos artísticos, mas que por algum motivo não encontra inspiração.

E ajuda quem já está no caminho da arte, na forma de mais uma obra linda na qual devemos admirar o relacionamento entre pessoas que mutuamente se respeitam, e buscar aquela inspiração da qual necessitamos dia após dia para continuarmos produzindo e nos sentindo vivos.



Self portrait de Robert: Foi o início de sua carreira como fotógrafo;


A androginia de Patti; Nesta foto ela já está mais velha;


Patti & Robert: Casal quente da época;


Abaixo, algumas fotos de Robert, que havia se tornado um fotógrafo respeitado e conhecido;




Robert ficou famoso por suas fotos que remetiam a sexualidade, principalmente a masculina; Mas devido a sua influência pelo sado masoquismo, algumas de suas obras não foram permitidas para exibição;


Patti, que era a companheira, confidente e melhor amiga de Mapplethorpe, era fotografada constantemente por Robert; mais tarde ele assumiria sua homosexualidade;


sábado, 12 de fevereiro de 2011

Desert Flower - A flor do deserto


"A flor do deserto" foi um filme que me impressionou, não só pela triste história da modelo somali Waris Darie, mas pelo lindo e emocionante desempenho da atriz Liya Kebede.

Waris foi uma, entre milhares de vítimas do ritual de circuncisão. 
Prática comum nas mulheres em países da Africa e Asia, a cincuncisão é uma operação "cirúrgica" que consiste na retirada do hímen, lábios internos e externos com uma faca, e em seguida a vagina é costurada, restando somente um pequeno buraco para que a moça consiga fazer suas necessidades.

Mas apesar da expressão "cirurgia", a cirncuncisão é feita sob as mais precárias condições, que por consequência, muitas jovens morrem por infecção interna logo após a prática ou no momento do parto, devido ao estado no qual sua vagina fica devido a prática.

A explicação para o ato brutal, seria, a de que se uma mulher não passasse pelo ritual (que geralmente acontece quando a menina tem somente 5 anos de idade), ela não é digna e pura, é expulsa de casa pelos próprios pais, passando assim, a ser considerada prostituta pelo resto da vida em seu país.

E Waris usa de sua fama e popularidade como modelo para que todo o mundo conheça o absurdo ritual e que este acabe, escrevendo livros e artigos pelos quais já ganhou diversos prêmios.
Em 1997, ela foi nomeada Embaixadora da ONU contra "A mutilação de órgãos femininos", e em 2002, Waris fundou em Viena, na Austria, a "Fundação Waris Darie" que visa alertar sobre os perigos da prática. 

Apesar de já ter lido o livro há muito tempo atrás, ainda não tinha visto o filme mas sabia que precisava assistir.
Fiquei triste e impressionada com a história de Waris, mas ao mesmo tempo, senti orgulho por sua coragem e força, ao se expor do jeito que se expôs ao mundo, pelo dever de fazer com que o ritual de circuncisão seja banido afim de evitar com que outras meninas/mulheres sofram como ela sofreu.

Sem parecer clichê mas já parecendo, o que me passou pela cabeça foi que nós, da sociedade classe média - média alta - Ocidental, nos preocupamos e sofremos demais com coisas que perto disso não tem a menor importância.
 
Mas a verdade é, que sempre terá alguém mais feio que você, mais pobre que você ou com uma história mais triste que a sua pra contar.

Assistam ao trailer do filme aqui.

Fotos: Reproducão



Capa do livro "Flor do deserto"

Sim, Waris é uma flor

Com Liya Kebede, que interpretou Waris no filme

Um rosto perfeito

Com seu filho Aleeke

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Life: A Vida de Keith Richards


Durante a leitura de Lifepercebe-se que realmente seria impossível o próprio Keith Richards contar sobre sua vida em menos de 600 páginas.

Da infância na cinzenta Dartford, subúrbio de Londres do Pós-Guerra, a descoberta de Elvis pela única rádio que tocava rock na época, até seu primeiro violão;

Expulso de escolas, o começo da amizade que dura por sua vida toda com Mick Jagger, as histórias com Brian Jones;

Os amores. De Haleema ( seu primeiro amor ), Linda Keith ( quem partiu seu coração ), passando pela groupie - ícone de estilo- junkie Anita Pallenberg, até sua mulher nos dias de hoje Patti Hansen.

Keith não economiza nos detalhes. Tanto das mil e uma histórias das estradas percorridas mundo afora, até sua relação conturbada com Mick. 

Os problemas com a polícia eram muitos. Tanto a dos EUA (onde foi proibido de entrar por um certo tempo), quanto com o governo britânico que insistia em prendê-los por motivos sem nexo algum.

No fundo confesso que me identifiquei com muitas partes do livro, principalmente as que Keith descreve suas viagens e suas casas ao redor do mundo. A temporada na França onde os Stones gravaram Exile on Main Streeta casa que comprou nos anos 70 na Jamaica, que tem até hoje, as diversas idas ao Marrocos com Anita, quando a heroína para eles ainda era algo distante...

Com base nos estudos numerológicos, é bem provável que assim como eu, Keith tenha alma 5. Que significa espírito livre, solto, amante de viagens e intensas buscas por experiências.

Que assim seja, Richards prova em Life que apesar da vida hardcore que levou durante muito tempo, sim, ele ainda lembra de tudo!!!

PS: A lenda na qual diz que Keith Richards iria uma vez por ano para a Suíça trocar de sangue é um exagero da mídia. Na verdade, quando ele foi pego de surpresa por paparazzis (sim, essa raça já existia na época), entrando em seu avião rumo a Zurique, ele respondeu com todo seu sarcasmo que iria trocar seu sangue, pois o que tinha em seu corpo já não prestava mais.
Mas a verdade é que, ele fora para a Suíça para se desintoxicar sim, mas da forma mais comum, é claro.

Dica: Para os músicos, vale muito a pena a leitura, pois em todos os capítulos, Keith fala minuciosamente sobre música crua, desde o jazz e o blues, que foram suas primeiras grandes influências, até o significado de muitas músicas do Stones.

Já pra mim que não sei tocar absolutamente nada, ou quase nada, vale pelas histórias, divertidas e pesadas, o que foi na verdade o maior motivo para que eu comprasse o livro.

C. F.

Fotos: Reprodução



Capa de Life


Linda Keith, foi quem partiu seu coracão pela primeira vez

Anita, groupie-ícone de estilo e junkie na época


Tocando com 64 anos. Congrats Keith!!



Com Patti Hansen

A família Richards reunida

Stones na formação original, ainda com Brian

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Consumo Autoral - O Consumidor como empresa criativa



Embora a palavra fashion faça parte do título deste blog, este não é um espaço onde somente os estilos e tendências serão analisados. E sim, a divulgação e discussão de tudo o que contribua, influencie e inspire o segmento da Moda.

Portanto, para o primeiro post, escolhi a apresentação/divulgação do livro "Consumo Autoral' do jornalista, escritor, sociólogo e presidente do Future Concept Lab de Milão, Francesco Morace.

A publicação fala do consumidor como uma "empresa" capaz de escolher seu próprio estilo, ditar suas próprias regras, e não mais aceitar e adequar-se a tudo o que o mercado oferece.

Numa época em que pesquisa de tendência era algo desconhecido, Francesco Morace já observava fatos corriqueiros, como mudanças comportamentais, publicidade, produtos e manifestações culturais, como fenomênos capazes de prever mudanças sociais.

Com isso, Morace colabora com grandes empresas como L'Oreal, Havaianas e O Boticário, numa tentativa de através de seu olhar voltado às constantes modificações, traçar estratégias futuras de sucesso. 

Mas Morace não deve ser considerado um "futurólogo" e sim um pesquisador e interpretador de sinais contemporâneos, desde os mais sutis aos mais notáveis , que influenciam as idéias de massa mundial.

Portanto, "Consumo Autoral" busca facilitar a pesquisa e ajuda a identificarmos o que realmente deve ser levado em conta, já que vivemos numa época em que todo o tipo de informação pode ser encontrada via google, inclusive as mais inúteis.


Na primeira parte,  Morace fala dos movimentos e fatores que contribuiram para o surgimento deste consumidor que não é mais passivo e que se torna cada vez mais difícil de agradar. 

Já na segunda parte, Morace enumera os dez núcleos geracionais que pertencem a este novo tipo de consumidor. Influenciados por valores, cotidiano, modo de pensar....

Ainda não li o livro todo. Assim que acabar posto meu post conclusivo. rs